Heidegger était-il nazi?:
"Mas Faye vai mais longe ainda, para o pavor dos heideggerianos de carteirinha. Para ele, a adesão do filósofo ao nazismo não é somente um problema de engajamento político, é um problema presente nos próprios fundamentos de sua obra. O erro, para Faye, é fazer como Levinas e Habermas, que só pegaram os primeiros capítulo da obra principal de Heidegger, Ser e tempo (1927) e a leram aos olhos de Kierkegaard, passando a acreditar que tudo não passava de um projeto a favor da autenticidade individual, enquanto que toda a obra, abordando a questão da morte, conduz ao capítulo central sobre a Historicidade, no qual Heidegger afirma sem rodeios: “a existência autêntica somente se realiza no destino comum, na comunidade (Gemeinschaft), no povo (Volk)”. Não por acaso, lembra Faye, Volksgemeinschaft (comunidade do povo), é um dos principais conceitos nazistas.
Ao ser questionado sobre os bons argumentos apresentados por aqueles que simplesmente não largam o osso do heideggerianismo, Faye diz que é óbvio que existem diversos níveis de leitura, mas quando se lê expressões como “exterminação total” ou “fonte essencialmente germânica” não é preciso - digamos assim - muita hermenêutica para facilita"